
Paulo Pinto (2009)
A sombra ilumina-me o rosto e provoca-me uma felicidade tonta. Não consigo parar de esconder o esboço de sorriso desde que ela apareceu, rompendo a manhã fria e húmida deste Inverno tenro, quando ainda a terra bebe as primeiras gotas de chuva. Há raios de luz que atravessam a neblina como agulhas perfurando algodão, esbarrando no vidro translúcido da janela do meu estúdio, onde, por estas horas, tento começar o meu primeiro trabalho.
Há uma nuvem de pó que se levanta à passagem dos ferrugentos e russos ruídos da carroça do senhor António. Depois, o pó assenta misturado com o cheiro da fruta e já só vemos a brisa dourada das manhãs de Outono a pentear a planície. É nesse momento que me dá uma saudade imensa da luz que sentia quando tu eras vivo.
Está a nascer o meu futuro website. Destaque para o meu trabalho fotográfico.