viagem ao interior do nada
De quando em vez questiono-me sobre a minha própria existência. O que sou. Quem sou. Como cheguei até aqui e porque gosto eu de Paul Klee, Enrique Vila-Matas ou Misha Mengelberg. Serei eu um escritor do NÃO? Como em Bartleby e Co., de Vila-Matas, penso que terei sido em tempos um escritor desses. A minha obra não existe, é feita de fragmentos que não existem. Uns tem a cor dos quadros de Chagall. Outros, parecem partes simétricas que pertencem a metades de outras metades de desenhos do Escher. Eu não produzo nada de que me possa orgulhar. Serei também eu um Robert Walser em potência? Destinado a morrer algures num hospício neste mundo cada vez mais global? Talvez um hospício virtual, onde possamos carregar num link de uma página internet, escolhermos o lugar onde viver o resto dos nossos dias et voilá. Se ao menos pudessemos levar uma boa dose de sonhos connosco, caberiam nomes como Klee, Escher, Chagall, Metheny, Walser, Vila-Matas, Peixoto, Tavares, Pynchon, Auster, Mehldau, Miles, Monk, Alan Lee, Clive-Hicks Jenkins, Cadmus, Eggers, Salinger, Lourenço……
Se ao menos um dia eu tivesse tentado escrever, podia hoje orgulhar-me de ser um escritor do nada, um artista sem obra criada. Se ao menos eu pudesse respirar o ar de Paris, na esplanada do Flore, contentar-me-ia em esperar pelo dia em que, na Net, escolherei o link que me levará ao completo eclipse.
Se ao menos…..
Sing Ghost Song
Fevereiro 29, 2008, 10:47 pm
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AI Phoenix
realidade especular
Fevereiro 28, 2008, 2:56 pm
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Fotografia

Foto: Paulo Pinto
A imagem reflectida é um signo? (Umberto Eco)
O anjo literário

Acabei de ler O anjo literário de Enrique Vila-Matas, perdón, de Eduardo Halfon.
Foi precisamente o que pensei, após a conclusão da leitura deste escritor guatemalteco, onde predomina um estilo muito ao jeito de Bartleby & Companhia do escritor catalão. O anjo literário é uma descrição muito centrada no nascimento de Halfon como escritor, usando fragmentos da vida literária de escritores que ele admira, em que se inspira. Um registo que pisca o olho ao diário, ao ensaio e ao romance. Sendo eu um admirador do estilo de Enrique Vila-Matas, e depois de ter lido Bartleby & Companhia, O Mal de Montano e Doutor Pasavento, não me consegui descolar, a não ser por instantes breves, da escrita de Vila-Matas. Mas O anjo literário tem outros méritos. É uma escrita simples, muito didáctica, uma escrita que parece usar apenas a linguagem necessária, que vai escorrendo como gotas de água numa verde folha. Voltarei a ler este livro, mais tarde, pois parece-me haver algo que ainda tenho que descobrir em Halfon. Enrique, Halfon, Eduardo, Vila-Matas.
Editora: Cavalo de Ferro
Tradutor: Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro Viseu
Género: Romance
128 Páginas
ISBN: 978-989-623-075-3
Leia o que diz o blogue 1979 sobre a obra.
Petersburgo
Fevereiro 25, 2008, 10:16 pm
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Andrei Bely

Acabei de adquirir, no Brasil, Petersburgo, de Andrei Bely, numa tradução publicada, em 1992, pela Ars Poetica.
Andrei Bely (1880-1934), pseudónimo de Boris Nikolaevich Bugaev, é considerado um dos maiores teóricos do Simbolismo russo. A propósito da obra, Vladimir Nabokov considerou-a uma das quatro obras-primas do século XX.
o que cai dos dias
Fevereiro 25, 2008, 9:08 pm
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Na Rede

o que cai dos dias é, seguramente, um dos meus blogues de eleição. A temática abordada, a forma de escrita, o domínio absoluto da matéria tratada. Este é um daqueles espaços sobre literatura que podia ser, ele próprio, um livro.
http://oquecaidosdias.wordpress.com/
Pedro Páramo
Fevereiro 25, 2008, 8:49 pm
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Juan Rulfo

Estou a preparar-me para ler Juan Rulfo. Melhor dizendo, Pedro Páramo. Já adquiri este livro há uns meses, mas ainda não o li. Estou a adiar esse momento, como quem adia o que não quer ver acabado. Entretanto, vou acabando alguns outros que ainda resistiam na minha biblioteca. Da Cidade Nervosa, de Vila-Matas e Diari de Paul Klee. No passado sábado, fui comprar outro Pedro Páramo, para oferta. Não sei se já o leram. O meu, está ali bem à vista. À espera que o leia.